Com a Espanha campeã mundial, depois de vencer a Argentina na final de domingo, 19 de julho, o varejo brasileiro agora faz o balanço da Copa de 2026. Os números confirmam algo que já vínhamos acompanhando ao longo desta série de artigos: o consumo nunca parou por completo, mesmo depois da eliminação do Brasil nas oitavas de final, ele apenas mudou de direção ao longo do torneio.

Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado, a própria final entre Espanha e Argentina movimentou os bares brasileiros mais do que a maioria dos jogos da Seleção. Ou seja, mesmo sem o Brasil em campo, o interesse coletivo pelo evento continuou sustentando parte relevante do consumo até o apito final.

Os números que fecham o ciclo

De acordo com o ICVA, o faturamento de bares, casas noturnas e estabelecimentos similares cresceu 14,5% no domingo da final, na comparação com o mesmo domingo do ano anterior. Além disso, o comércio eletrônico avançou 11,4% no mesmo período, reforçando um padrão que já discutimos no artigo sobre consumo sem o Brasil: a migração de comportamento, não o desaparecimento dele.

Contudo, nem todos os segmentos surfaram essa onda da mesma forma. Itens ligados diretamente à Seleção Brasileira, como camisas, bandeiras e acessórios temáticos, perderam apelo comercial assim que o time caiu, exatamente como o esperado diante de um vínculo emocional que dependia do resultado em campo.

A lição que o varejo já está levando para o futuro

Segundo especialistas do setor, o principal aprendizado desta edição foi reduzir a dependência do desempenho da Seleção nas campanhas de marketing. Assim, categorias vinculadas à experiência compartilhada, como alimentação e bebidas, sustentaram vendas mesmo sem o resultado esportivo favorável, enquanto o merchandising oficial da Seleção sofreu mais com a queda de ânimo do torcedor.

Consequentemente, essa distinção entre consumo emocional dependente de resultado e consumo social independente de resultado tende a orientar decisões de varejo para a próxima grande competição, a Copa do Mundo Feminina de 2027, que acontece pela primeira vez na América do Sul, sediada no Brasil.

O contexto que sustentou esse comportamento

Vale lembrar o cenário completo desta Copa, que discutimos ao longo da série. Antes do torneio, pesquisas indicavam que 99,2 milhões de brasileiros pretendiam realizar compras relacionadas ao evento, com ticket médio estimado em R$ 619. Assim como já vimos no artigo sobre presenteísmo na final da Copa, o engajamento de tempo e o consumo coletivo se mantiveram fortes até o encerramento, independentemente de qual seleção estivesse jogando.

Interessante notar também que 74% dos consumidores afirmavam preferência por marcas patrocinadoras oficiais da Seleção Brasileira antes do início do torneio, o que reforça o quanto a identificação nacional pesou na primeira fase do consumo, antes da eliminação reconfigurar esse comportamento.

O que isso significa na prática

O balanço da Copa de 2026 confirma um padrão que se repetiu em cada capítulo desta série: o consumo em grandes eventos raramente segue uma trajetória simples de queda ou alta. Ele se redistribui, migrando entre categorias, horários e motivações ao longo de todo o período.

Assim, entender esse comportamento ajuda tanto o varejo a planejar melhor grandes eventos futuros quanto o consumidor a reconhecer os próprios padrões de gasto emocional, seja durante uma Copa do Mundo, seja em qualquer outro momento de grande mobilização coletiva.

Referências

  • CNDL. Portal Varejo S.A, com o balanço final de vendas e comportamento do consumidor após a Copa do Mundo 2026.
  • Exame, citando dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) sobre o desempenho do varejo no dia da final.
  • Central do Varejo. Pesquisa sobre intenção de compras para a Copa do Mundo 2026.