É intuitivo pensar que quanto mais opções um cliente tem, maior a chance de encontrar
exatamente o que quer — e, portanto, maior a chance de comprar. Um dos experimentos mais
citados da economia comportamental mostra o contrário.
O experimento das geleias
Em um estudo conduzido por Sheena Iyengar e Mark Lepper, um mercado montou duas bancas
de degustação: uma com 24 sabores de geleia, outra com apenas 6. A banca maior atraiu mais
gente para experimentar — mas a banca menor converteu muito mais visitantes em
compradores de fato.
“Mais opções nem sempre significam mais liberdade — às vezes, significam
mais desistência.”
Por que o excesso de opções paralisa
Cada opção adicional exige uma comparação mental a mais, e esse esforço tem um custo
cognitivo real. Quando esse custo fica alto demais, adiar a decisão — ou simplesmente desistir
dela — vira o caminho mais fácil. O psicólogo Barry Schwartz chamou esse fenômeno de
“paradoxo da escolha”: mais opções aumentam a expectativa de encontrar a opção perfeita, o
que também aumenta a frustração com qualquer escolha feita.
Quando (e como) simplificar a escolha
- Categorias bem definidas (ex.: “mais vendidos”, “para iniciantes”) reduzem a carga de
comparação. - Recomendações personalizadas funcionam como um atalho, não como mais uma opção a
avaliar. - Ao comprar, vale perguntar: estou comparando de verdade, ou só adiando a decisão?
Referências
- Iyengar, S.; Lepper, M. — When Choice is Demotivating. Journal of Personality and Social
Psychology (2000). - Schwartz, B. — The Paradox of Choice: Why More Is Less.
