Streaming, aplicativos, academias, clubes de assinatura: o modelo recorrente virou padrão em quase todo tipo de negócio. Parte do sucesso vem da conveniência real mas parte considerável vem de mecanismos comportamentais que dificultam a saída, não apenas facilitam a entrada.

O poder do “não pensar mais nisso”

Cobranças pequenas e recorrentes tendem a sair do radar da atenção um fenômeno próximo do que a economia comportamental chama de “contabilidade mental”: tratamos um gasto fixo mensal de forma muito diferente de um gasto único do mesmo valor total, mesmo que o impacto no orçamento seja idêntico.

“Quanto menor a fricção para começar e maior para sair, mais o modelo se sustenta.”

Por que cancelar é sempre mais difícil que assinar

Assinar costuma levar dois cliques. Cancelar, com frequência, exige encontrar um menu escondido, falar com um atendente ou confirmar a decisão várias vezes um desenho de interface conhecido como “dark pattern”. A assimetria não é acidental: cada etapa extra é uma chance de você desistir de cancelar.

Dicas para revisar suas assinaturas

  • Uma vez por trimestre, liste todas as cobranças recorrentes do cartão muita gente esquece o que ainda paga.
  • Pergunte-se quando foi a última vez que usou cada serviço de fato.
  • Antes de assinar algo novo, procure de antemão como funciona o cancelamento.

Referências

  • Thaler, R. — Mental Accounting Matters. Journal of Behavioral Decision Making (1999).
  • Brignull, H. — Dark Patterns: conceito sobre interfaces desenhadas para dificultar certas ações do usuário.